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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Filme da Audi mistura imaginação, realidade e engenharia


Audi


A criação é assinada pela agencia BBH London e a trilha é “Draculo”, da dupla inglesa Basement Jaxx. Direção criativa: Nick Kidney e Kevin Stark.




sábado, 1 de janeiro de 2011

Pesquisa revela que britânicos de meia-idade gostam de fazer sexo no carro

Carsale


Uma recente pesquisa realizada pelo Autoquake.com, um website britânico especializado em comércio de veículos pela internet, revelou que 54% das pessoas entrevistadas admitiram que já fizeram sexo dentro de um carro. A empresa, no entanto, não revela quantas pessoas participaram do estudo, mas afirma que, apesar do risco de serem flagradas na intimidade, quatro entre 10 pessoas garantiram que a experiência foi fantástica, mesma opinião de 39% dos participantes com idades acima de 55 anos.

E dos 46% restantes que declararam nunca terem praticado sexo em um automóvel, 23% revelaram que a idéia já passou pela cabeça deles e os outros 23% condenam esse tipo de atitude. Ainda segundo a pesquisa, a opinião entre homens e mulheres é bem distinta. Um em cada três homens diz que o sexo sobre quatro rodas é algo maravilhoso, mas apenas 18% das mulheres concordam com esse ponto de vista. Já 31% das entrevistadas acredita que ter relações sexuais dentro de um carro é errado, sentimento esse compartilhado por 11% dos homens.

O estudo também apontou que apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos que chegaram a transar dentro de um carro, gostaram de fato da experiência. E de todas as faixas etárias pesquisadas, as que correspondem a pessoas de meia-idade foram as mais receptivas ao tema. Apenas 11% dos maiores de 55 anos foram contra o sexo no carro. O Autoquake.com também divulgou uma lista com os 10 melhores carros para a prática de sexo. Os critérios de escolha levaram em conta, na maioria dos casos, o espaço e o conforto interno, e a luxuosidade. No caso do Fusca, o site fez a seguinte observação: "Quanto maior a dificuldade, mais gratificante será".


1º - Mercedes-Benz E-Class Estate

2º - Volkswagen Fusca

3º - Ferrari 458 Italia

4º - MINI Cooper

5º - Volvo V70

6º - Volkswagen Golf GTI

7º - Alfa Romeo Spider

8º - Rolls-Royce Ghost

9º - Aston Martin Vanquish

10º - Land Rover Discovery

sábado, 25 de dezembro de 2010

A maldição do Titanic: bactéria desconhecida acelera corrosão

Inovação Tecnológica

A maldição do Titanic: bactéria desconhecida acelera corrosão
A imagem mostra os rustículos, saliências ferruginosas sobre o casco do navio Titanic, que está a 3.800 metros de profundidade. [Imagem: RMS Titanic Inc.]

Cientistas identificaram uma espécie até agora desconhecida de bactéria ajudando a enferrujar cada vez mais o que sobrou do navio Titanic.

Segundo os pesquisadores, a bactéria está contribuindo para a rápida deterioração dos destroços do navio.

A descoberta revela uma potencial nova ameaça microbiana para o casco dos navios e das estruturas metálicas submarinas, como plataformas de petróleo.

Bactéria da ferrugem

Os pesquisadores isolaram o novo microrganismo de um "rustículo" - um aglomerado de ferrugem - retirado do Titanic, que está 3,8 km abaixo da superfície do oceano.

A nova bactéria foi batizada de Halomonas titanicae.

A avaliar a capacidade do microrganismo causar corrosão em metais, os cientistas das universidades de Halifax, no Canadá, e Sevilha, na Espanha, descobriram que ele é capaz de aderir a superfícies de aço, criando saliências de ferrugem.

Eles acreditam que os rustículos, saliências de ferrugem que lembram as estalactites das cavernas, encontradas ao redor de todo o casco do Titanic, sejam formados por um processo bacteriano similar.

Embora os rustículos pareçam ser estruturas sólidas, eles são altamente porosos e contêm uma complexa variedade de bactérias, sugerindo que a H. titanicae pode trabalhar em conjunto com outros organismos para acelerar a corrosão do metal.

Biodegradação de metais

Mas os cientistas veem um lado positivo na ação da bactéria, que pode ajudar na biodegradação de materiais que afundam no oceano.

"Nós acreditamos que a H. titanicae desempenha um papel na reciclagem de estruturas de ferro em determinadas profundidades. Isto pode ser útil no descarte de navios antigos e plataformas petrolíferas que tenham sido limpos de toxinas e produtos à base de óleo e, em seguida, enviados para o fundo do oceano," afirmaram eles.

Contudo, eles alertam que não é possível determinar se a bactéria chegou ao Titanic antes ou depois dele afundar. E, como não era conhecida, ninguém sabe ao certo a ação da bactéria sobre outras estruturas metálicas.

"Encontrar respostas para essas perguntas não apenas nos dará uma melhor compreensão dos nossos oceanos, mas também pode nos ajudar a projetar revestimentos que possam evitar deterioração semelhante em outras estruturas metálicas," concluem eles em seu artigo.

Bibliografia:

Halomonas titanicae sp. nov., a halophilic bacterium isolated from the RMS Titanic
Cristina Sánchez-Porro, Bhavleen Kaur, Henrietta Mann, Antonio Ventosa
International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology
Vol.: Early View
DOI: 10.1099/ijs.0.020628-0

Dá para sobreviver a um salto do topo de um prédio?

Gizmodo



Crianças, se eu vir vocês fazendo qualquer coisa parecida com isso, em qualquer momento das vidas de vocês, vocês vão ficar de castigo por dois meses. Sem Wii e sem internet. DE CASTIGO.

Queria saber qual desses gênios teve a ideia maluca. “Te dou 10 Rublos se você pular do topo daquele prédio naquele monte de neve”. Na verdade, isso parece tão maluco que eu me pergunto se é real. À primeira vista, parece mesmo real. No entanto, eu posso fazer uma análise simples de vídeo para verificar (usando, claro, a melhor ferramenta gratuita de análise de vídeo: Tracker Video).

Boa, cinegrafista amador russo. Você tentou fazer o vídeo ser difícil de analisar, e eu saúdo seus esforços. A câmera se move bastante. No entanto, eu sou um mestre do Tracker Video. Tenho aqui um gráfico do movimento vertical do primeiro cara que pulou. A unidade de distância é de 1 andar do prédio.


Será real? Bem, isso parece mesmo ter uma aceleração constante de −4,86 andares/s2. Se eu supor que este evento aconteceu no planeta Terra, com uma aceleração em queda livre de −9,8m/s2, posso determinar a altura de um andar.

Hmmmmm… Dois metros. Meio incomum. Ok, vamos tentar outro pulo e ver se consigo uma aceleração similar.

Para este pulo, identifiquei uma aceleração de cerca de −3,58 andar/s2. Isso colocaria a altura de um andar em 2,7 metros. Isso parece mais provável. Nos EUA, um andar de um prédio comercial pode chegar a cerca de 3 metros. No entanto, vamos fazer o terceiro pulo para confirmar. Este último resulta em um 2,1 metros para a altura do andar. Ok, seguindo em frente. O vídeo está com má qualidade, e a câmera realmente se move bastante. Mas a aceleração está constante, então acho que tudo bem. Vamos considerar uma média meio aleatória e determinar que a altura de um andar é 2,5 metros – um pouco baixo, mas vamos lá. Isso significa que a altura do prédio é cerca de 13 metros.

Próxima pergunta: dá pra fazer isso? É claro que dá. Lembram do Professor Splash? Ele saltou de uma altura de 10 metros para uma piscina de água com apenas 30cm de profundidade. É possível. Não vou entrar em detalhes, mas eu tenho uma página com uma calculadora de perigo de saltos. Aqui eu mostro como determinar a aceleração durante a “aterrissagem”.

A aceleração é a chave para evitar ferimentos. Segundo os teste de tolerância à força-g da NASA, uma pessoa parada pode aguentar cerca de 18g’s (170 m/s2) por períodos muito curtos. Então, qual será a aceleração a qual esses russos malucos estavam submetidos? Se o prédio tinha 13 metros de altura, e a neve tinha cerca de 1,5 metro de profundidade, a aceleração seria de apenas 7,6 g’s. Claramente “sobrevivível”.

Mas o lance do castigo está de pé, crianças. NÃO FAÇAM ISSO

Engenheiro da Apple reconstrói computador mais antigo do mundo com Lego

Olhar Digital

A Máquina de Anticítera foi construída há mais de 2000 anos e já teve muitas réplicas, mas só agora uma versão em Lego entrou na jogada


Há mais de 2.000 anos, os gregos usavam um computador analógico moldado com trinta engrenagens de bronze, feitas a mão, que calculava os movimentos da Terra em relação ao céu e, ainda que não se saiba o motivo exato para que os cálculos fossem feitos, o computador, conhecido como Máquina de Anticítera, foi estudado por mais de 50 anos e vários cientistas tentaram reconstruí-lo.

Andrew Carol, um dos engenheiros de software da Apple, fez a mais atual reconstrução da Máquina de Anticítera, só que sem engrenagens de bronze. Andrew usou peças de Lego!

Cerca de 1.500 blocos e 110 engrenagens foram utilizadas para montar, num período de 30 dias, a réplica parecida do computador construído antes do nascimento de Cristo.

A reconstrução de Andrews funciona perfeitamente e prevê futuros eclipses.


domingo, 19 de dezembro de 2010

Tabela Periódica será corrigida pela primeira vez na história

Inovação Tecnológica



Pela primeira vez na história, os pesos atômicos de alguns elementos da Tabela Periódica serão alterados.

A nova Tabela Periódica, descrita em um relatório científico que acaba de ser divulgado, irá expressar os pesos atômicos de 10 elementos de uma forma diferente, para refletir com mais precisão como esses elementos são encontrados na natureza.

Os elementos que terão seus pesos atômicos alterados são: hidrogênio, lítio, boro, carbono, nitrogênio, oxigênio, silício, cloro, enxofre e tálio.

"Por mais de 150 anos os estudantes aprenderam a usar os pesos atômicos padrão - um valor único - encontrados na orelha dos livros didáticos de química e na Tabela Periódica dos elementos," comenta o Dr. Michael Wieser, da Universidade de Calgary, no Canadá e membro da IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada).

Contudo, explica ele, conforme a tecnologia foi evoluindo, os cientistas descobriram que aqueles números tão bem decorados não são tão estáticos quanto se acreditava anteriormente.

Ciência, indústria e esportes

As modernas técnicas analíticas conseguem medir o peso atômico de vários elementos com altíssima precisão.

E essas pequenas variações no peso atômico de um elemento são importantes não apenas nas pesquisas científicas, mas também em outras atividades práticas.

Por exemplo, medições precisas da abundância dos isótopos de carbono podem ser usadas para determinar a pureza e a origem de alimentos como a baunilha ou o mel.

Medições dos isótopos de nitrogênio, cloro e outros são utilizadas para a detecção de poluentes em rios e águas subterrâneas.

Nas investigações de doping nos esportes, a testosterona, que melhora o desempenho dos atletas, pode ser identificada no corpo humano porque o peso atômico do carbono na testosterona humana natural é maior do que na testosterona farmacêutica.

Pesos atômicos como intervalos

Os pesos atômicos destes 10 elementos agora serão expressos em intervalos, com limites superiores e inferiores.

Por exemplo, o enxofre é conhecido por ter um peso atômico de 32,065. No entanto, o seu peso atômico real pode estar em qualquer lugar no intervalo entre 32,059 e 32,076, dependendo de onde o elemento é encontrado.

"Em outras palavras, o peso atômico pode ser utilizado para identificar a origem e a história de um determinado elemento na natureza," afirma Wieser.

Elementos com apenas um isótopo estável não apresentam variações em seu peso atômico. Por exemplo, o peso atômico padrão do flúor, alumínio, sódio e ouro são constantes, e seus valores são conhecidos com uma precisão acima de seis casas decimais.

E agora, professor?

"Embora esta mudança ofereça benefícios significativos na compreensão da química, pode-se imaginar o desafio para os professores e estudantes, que terão que escolher um único valor de um intervalo ao fazer cálculos de química," diz a Dra Fabienne Meyers, diretor adjunto do IUPAC.

"Nós esperamos que os químicos e os educadores tomem este desafio como uma oportunidade única para incentivar o interesse dos jovens em química e gerar entusiasmo para o futuro criativo da química," afirma Meyers.

O trabalho que embasou a primeira correção já feita na Tabela Periódica durou de 1985 a 2010. A mudança vai coincidir com o Ano Internacional da Química, que será celebrado em 2011.

Considerada um dos maiores feitos científicos de todos os tempos, a tradicional Tabela Periódica tem sofrido "ataques" de várias frentes de pesquisa, conforme o conhecimento científico avança.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Moto do filme Tron vira realidade

Customizadora americana faz réplica funcional do modelo

do AutoCosmos/Chile
exclusivo para MotorDream -
Fotos: Divulgação

Moto do filme Tron vira realidade

Com os avanços tecnológicos e de materiais de construção artesanal para veículos, muitas preparadoras independentes puderam criar todo tipo de modelos que aparecem no cinema, como a moto do Exterminador do Futuro, a Batpod do Batman, entre outros. Assim, a Tron Cycle não poderia escapar de chegar à realidade.

A base usada para o conceito foi a de uma Suzuki TLR1000, que usa um motor V-Twin de 135 cv. Fora isso, a Tron Cycle nada tem a ver com suas origens japonesas, já que a preparação lhe confere todo o espírito norteamericano, "muita potência, chamativa, enorme, mas que não serve para curvas".

A moto pesa 215 kg, com 2,54m de comprimento e quase 60 cm de largura. As dimensões são para dar uma estética semelhante à moto virtual, mas tornam a moto impossível de ser usada normalmente. A largura exagerada e a posição de pilotagem, com os braços muito esticados não permitem manobras fechadas.

A maioria das motos customizadas são espetaculares, mas pouco úteise e a réplica da Tron Cycle não é diferente, além de custar 55 mil dólares (R$ 92.700).

Schwarzenegger é eleito motociclista do ano

Americanos escolheram o político como figura mais influente no mundo das motos.

Arnold Schwarzenegger

Arnold Schwarzenegger


A Associação Americana dos Motociclistas (AMA) anunciou na última quarta-feira (4) o “Motociclista do Ano” eleito pela entidade. O escolhido da vez foi o "ex-exterminador" do futuro e atual governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, considerado pelo AMA a pessoa que teve um impacto mais profundo no mundo das motos nos 12 meses passados, para o bem ou para o mal.

O motivo da escolha do “Terminator” como “Motociclista do Ano” foi uma lei assinada por Schwarzenegger que regulamenta os sistemas de escape. Apesar de controversa entre os motociclistas, já que muitos usuários a criticaram acabou recebendo o prêmio. Vale lembrar que o ex-ator é motociclista e protagonizou as inesquecíveis cenas com a Harley-Davidson Fat Boy no filme Exterminador do Futuro 2.

Rafael Miotto

sábado, 30 de outubro de 2010

Bagger 288 a maior escavadeira do mundo

Instituto de Engenharia



Esta é a Bagger 228 a maior máquina de escavação (ou retro escavadora ou pá rotativa) no mundo. Foi construída pela Krupp e aparece aqui cruzando uma estrada na Alemanha a caminho do seu destino, uma mina de carvão a céu aberto.

• A máquina é de 95 metros de altura e 215 metros de comprimento (quase 2.5 campos do futebol no comprimento)
• O peso é 45.500 toneladas
• Seu projeto e fabricação duraram cinco anos e o custo foi de 100 milhões dólares
• A velocidade de escavação máxima é de 10 metros por minuto
• Pode mover mais de 76 mil metros cúbicos de carvão, pedra e terra por dia










quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Como funciona a aerodinâmica?

por Patrick E. George - traduzido por HowStuffWorks Brasil

1. Introdução a Como funciona a aerodinâmica

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/Mark Evans
Veículos com um design aerodinâmico tendem a ser mais estáveis em alta velocidade
Não é algo agradável de fazer, mas imagine o que acontece a um carro a 100 km/h batendo num muro de concreto. Partes metálicas retorcidas e rasgadas. Vidros estilhaçados. Airbags se inflando para proteger os ocupantes – mas nesse tipo de acidente não ajudariam muito. Por mais seguros que sejam os carros atuais, eles não foram feitos para furar um muro de concreto.

Só que há um tipo de parede que os carros conseguem atravessar – e fazem isso há muito tempo. É o muro de ar, cuja resistência os carros têm que vencer para se mover.

Não é fácil pensar no ar ou no vento como um parede. Em baixa velocidade, em dias com pouco vento, é difícil perceber como o ar interage com nossos veículos. Mas em alta velocidade, ou sob vento excepcionalmente forte, a resistência do ar (a força que o ar exerce sobre um objeto em movimento – também chamada de arrasto) tem enorme efeito sobre a aceleração, a dirigibilidade e o consumo de um carro.

Nesta hora entra em cena a ciência da aerodinâmica. Aerodinâmica é o estudo do ar em movimento e das forças exercidas por ele sobre objetos sólidos [fonte – Nasa, em ingles]. Há décadas se projetam carros tendo em mente a aerodinâmica, e os fabricantes de carros puseram em uso inovações que tornam mais fácil cortar o muro de ar, diminuindo seu efeito adverso.

Na essência, projetar um carro levando em consideração o fluxo de ar significa que ele vai ter menos dificuldade para acelerar e vai ter menor consumo de combustível porque o motor não tem que trabalhar tanto para empurrar o carro através da parede de ar.

Os engenheiros desenvolveram várias maneiras de fazer isso. Por exemplo, para que o ar flua ao redor do carro com a menor resistência possível, as carrocerias são arredondadas e têm partes que canalizam o ar. Alguns carros de alto desempenho têm até partes projetadas para levar o ar a se mover de forma suave sob sua parte inferior. Em determinados modelos há aerofólios (também chamados de asas ou spoilers) para evitar que o ar “puxe” para cima o carro – criando sustentação, o que diminui sua estabilidade. Mas na maioria dos carros a suposta peça aerodinâmica está lá apenas como enfeite – você verá a explicação adiante.

Neste artigo vamos examinar a física da aerodinâmica e da resistência do ar e a história de como os carros têm sido projetados levando isso em conta, além de explicar por que a tendência de carros ecológicos dá mais importância que nunca à aerodinâmica.

2. A ciência da aerodinâmica

Antes de ver como a aerodinâmica é aplicada aos automóveis, vamos refrescar a memória em relação à física, para entender a ideia básica.

Conforme um objeto se move pela atmosfera ele desloca o ar que o cerca. O objeto também fica sujeito à gravidade e ao arrasto. O arrasto é gerado quando um objeto sólido se move através de um meio fluido como a água ou o ar. O arrasto aumenta com a velocidade – quanto mais velozmente o objeto se move, mais arrasto ele sofre.

Medimos o movimento de um objeto usando os fatores descritos nas Leis de Newton (em inglês). Estão incluídas massa, velocidade, peso, força externa e aceleração.

O arrasto tem efeito direto sobre a aceleração. A aceleração (a) de um objeto é seu peso (P) menos o arrasto (Fa) dividido por sua massa (m). É bom lembrar que o peso é a massa de um objeto multiplicada pela força de gravidade que atua sobre ele. Seu peso mudaria na Lua porque a gravidade lá é mais baixa, mas sua massa permaneceria a mesma. Para simplificar:

a = (P - Fa) / m

(fonte: Nasa - em inglês)

Conforme um objeto acelera, sua velocidade e o arrasto aumentam, até que o arrasto seja igual ao peso – situação em que não há mais aceleração. Digamos que o objeto nessa equação seja um carro. Isso significa que conforme o carro se move cada vez mais rápido, mais e mais ar se opõe a ele, limitando sua aceleração e sua velocidade.

Como isso se aplica ao projeto de um carro? Bem, é útil para descobrir um número importante – o coeficiente de arrasto. Esse é um dos fatores primários a determinar quão facilmente um objeto se move cortando o ar. O coeficiente de arrasto (Cx) é igual ao arrasto (Fa) dividido pelo produto da velocidade (V) ao quadrado multiplicada pela área (A) multiplicada por metade da densidade do ar (p). Para facilitar a leitura:

Cx = Fa / (A * 0,5 * p * V^2)


[fonte: Nasa - em inglês]

3. O coeficiente de arrasto

Acabamos de ver que o coeficiente de arrasto (Cx) é um número que mede a força exercida sobre um objeto – por exemplo, um carro - pela resistência do ar. Agora imagine a força do ar contrária ao carro conforme ele se move numa rodovia. A 120 km/h a força agindo contra o carro é quatro vezes maior que a verificada quando o carro está a 60 km/h [fonte: Elliott-Sink - em inglês].

A capacidade aerodinâmica de um carro é medida usando o coeficiente de arrasto do veículo. Na essência, quanto mais baixo o Cx, mais aerodinâmico é o carro – e mais facilmente ele se move através da parede de ar contrária a ele.

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/TIM MCCAIG
A forma aerodinâmica do Toyota Prius é um dos fatores que o ajudam na economia de combustível

Vamos ver alguns números de Cx. Por exemplo, dos modelos quadradões da Volvo (em inglês) da década de 70 e 80 do século passado. Um Volvo 960 sedã tem Cx de 0,36. Os Volvo mais novos são muito mais suaves e curvilíneos – e um S80 sedã tem Cx de 0,28 [fonte: Elliott-Sink - em inglês]. Isso mostra uma coisa que você talvez já tenha deduzido – formas mais suaves e afiladas são mais aerodinâmicas que os “caixotes”. Por que isso acontece?

É bom dar uma olhada na coisa mais aerodinâmica da natureza – uma gota de água. Ela é suave e arredondada, e se afina no topo. O ar flui suavemente ao seu redor conforme ela cai em direção ao solo. Sucede o mesmo com os carros – superfícies suaves e arredondadas permitem que o ar flua ao redor do veículo, reduzindo o “empurrão” do ar contra a carroceria.

A maioria dos carros atuais tem um Cx de perto de 0,30. Utilitários esportivos, que tendem a ser mais quadradões que os carros, porque são maiores, levam mais gente e frequentemente precisam de grades mais amplas para ajudar a refrigerar o motor, têm Cx entre 0,30 e 0,40. Nas picapes (em inglês), propositalmente quadradonas, o número fica próximo a 0,40 [fonte: Siuru - em inglês].

Muita gente contestou o visual “único” do Toyota Prius, um carro híbrido, mas ele tem uma forma extremamente aerodinâmica por uma boa razão. É uma de suas características de eficiência, com seu Cx de 0,26 ajudando na obtenção de um consumo baixíssimo. A redução do Cx de um carro em 0,01 pode diminuir o consumo em 0,09 km/l [source: Siuru - em inglês].

4. A história do projeto aerodinâmico dos carros

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/John W. DeFeo
Esses carros antigos são exemplos de como quase nada se conhecia sobre veículos aerodinâmicos no início do século 20
Os cientistas já tinham fazia muito tempo alguma noção do que era necessário para criar formas aerodinâmicas, mas demorou um pouco mais para que esses princípios fossem aplicados ao projeto de carros.

Os primeiros carros não tinham nada de aerodinâmicos. Dê uma olhada no Ford T (em inglês), com sua carroceria bem quadrada – na verdade, parecida com uma carroça sem cavalos. Muitos desses carros mais antigos não tinham que se preocupar com a aerodinâmica porque eles eram relativamente lentos. Mesmo assim, alguns carros de corrida do início do século 20 incorporavam alguma coisa em afilamento e dispositivos aerodinâmicos.

Em 1921 o inventor alemão Edmund Rumpler criou o Rumpler-Tropfenauto (carro gota d’água). Baseado na forma mais aerodinâmica da natureza, a gota d’água, ele tinha Cx de apenas 0,27, mas seu visual peculiar não atraiu o púbico, e apenas cerca de 100 foram produzidos. [fonte: Price - em inglês].

Do lado dos EUA, um dos maiores passos adiante surgiu na década de 1930, com o Chrysler Airflow. Inspirado em pássaros voando, o Airflow foi um dos primeiros carros projetados levando em consideração a aerodinâmica. Embora usasse técnicas de fabricação exclusivas e tivesse distribuição de peso quase 50/50 (igual distribuição de peso sobre as rodas dianteiras e traseiras, para melhor dirigibilidade), os consumidores da época da Grande Depressão (em inglês) não mostraram entusiasmo por seu visual ortodoxo, e o carro foi considerado um fracasso. Mas seu desenho afilado estava muito à frente de seu tempo.

Nos anos 50 e 60 alguns dos maiores avanços na aerodinâmica dos carros tinham vindo das corridas. No começo os engenheiros fizeram experiências com diferentes projetos, sabendo que formas alongadas podiam ser úteis para tornar os carros mais velozes - e mais estáveis em alta velocidade. Depois isso se transformou numa ciência, dedicada a produzir os carros de corrida mais aerodinâmicos. Aerofólios e defletores dianteiros e traseiros, “narizes” com formas que ajudam a “furar” o ar e kits aerodinâmicos se tornaram cada vez mais comuns, sempre com a intenção de fazer o ar fluir sobre o carro e criar sustentação negativa nas rodas dianteiras e traseiras. [fonte: Formula 1 Network - em inglês].

Empresas como Lotus, Citroën e Porsche desenvolveram carros muito aerodinâmicos para vender ao público, mas na maioria das vezes eram carros esporte de alto desempenho, e não modelos para o uso no dia a dia por motoristas comuns. Isso começou a mudar nos anos 1980 com o Audi 100, um sedã com um até então inédito Cx de 0,30. Atualmente quase todos os carros são projetados com alguma preocupação com a aerodinâmica [fonte: Edgar - em inglês].

O que ajudou a provocar essa mudança? A resposta é o túnel de vento. Na próximo tópico vamos explicar como o túnel de vento se tornou essencial no projeto automobilístico.

5. O túnel de vento nas medições de arrasto

Para medir a eficiência aerodinâmica de um carro, em tempo real, os engenheiros da indústria automobilística tomaram emprestada uma ferramenta da indústria aeronáutica – o túnel de vento.

Basicamente, um túnel de vento é um enorme tubo com ventiladores que dirigem um fluxo de ar a um objeto em seu interior. Pode ser um carro, um avião ou qualquer outra coisa cuja resistência ao ar os engenheiros precisem medir. Numa sala anexa ao túnel os engenheiro estudam como o ar interage com o objeto – a maneira como as correntes de ar fluem sobre as variadas superfícies.

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/Kiyoshi Takahase Segundo
Carros (e aviões) usam túneis de vento para testarem a aerodinâmica

O carro ou avião dentro do túnel nunca se move, mas os ventiladores criam vento a diferentes velocidades, para simular as condições do mundo real. Algumas vezes não é usado um carro de verdade – os projetistas se baseiam em modelos em escala de seus veículos na medição da resistência do ar. Conforme o vento se desloca sobre o carro no túnel, computadores calculam o coeficiente de arrasto (Cx).

Os túneis de vento não são nenhuma novidade. Eles começaram a ser usados no final do século 19 para medir o fluxo de ar em muitas experiências com os primeiros aviões. Até os irmãos Wright (em inglês) tinham um. Depois da Segunda Guerra Mundial, engenheiros ligados a competições automobilísticas começaram a usar túneis de vento, em busca de uma vantagem em relação aos concorrentes, medindo a eficiência dos dispositivos aerodinâmicos de seus carros. Mais tarde essa tecnologia passou a ser empregada em carros de passageiros e de carga.

Só que de alguns anos para cá os gigantescos túneis de vento de milhões de dólares têm sido cada vez menos usados. Simulações em computadores começam a substituir os túneis de vento para avaliar a aerodinâmica de carros e aviões. Em muitos casos, os túneis de vento quase servem apenas para checar se são precisas as simulações no computador [fonte: Day - em inglês].

Muita gente acha que instalar um mero defletor na traseira de um carro ajuda a torná-lo mais aerodinâmico. Na próxima parte deste artigo vamos examinar diferentes tipos de dispositivos aerodinâmicos para carros – e saber seu papel no desempenho e no consumo de combustível.

6. Dispositivos aerodinâmicos

A aerodinâmica envolve mais do que apenas o arrasto – há outros fatores, chamados sustentação e downforce (sustentação negativa). Sustentação é a força que se opõe ao peso de um objeto, elevando-o e mantendo-o no ar. A sustentação negativa é seu oposto – uma força que empurra o objeto em direção ao solo [fonte: Nasa - em inglês].

Você acha que o coeficiente de arrasto de um carro de F-1 é superbaixo? Afinal, um carro superaerodinâmico deve ser muito veloz. Bem, não é assim num F-1. Os carros dessa categoria têm Cx por volta de 0,70.

Aerodinâmica
©iStockphoto.com/Tan Kian Khoon
Os carros de F-1 são aerodinamicamente projetados para gerar o máximo de downforce (sustentação negativa)

Por que um supercarro que supera 330 km/h não é lá muito aerodinâmico? Porque um F-1 é projetado para ter o máximo possível de downforce. Pelas altíssimas velocidades atingidas – e por seu baixíssimo peso (em inglês) – esses carros começam a ter sustentação e tendem a decolar, como um avião. Obviamente carros não devem voar, e se um carro perde o contato com o chão quando em alta velocidade pode haver um sério acidente. Por isso, a sustentação negativa deve ser ampliada - e a forma de fazer isso leva a um elevado Cx.

Os carros de F-1 conseguem sustentação negativa graças a aerofólios ou defletores montados na frente e na traseira. Os aerofólios criam diferenças de pressão que literalmente empurram o carro em direção ao solo – é a sustentação negativa. Isso aumenta a velocidade em curvas, mas tem que ser cuidadosamente balanceado para que o carro tenha velocidade suficiente nas retas. [fonte: Smith - em inglês].

Vários carros de rua têm acessórios aerodinâmicos que geram sustentação negativa. O Nissan GT-R, por exemplo, criticado por sua aparência, tem a carroceria toda projetada para permitir que o ar flua sobre o carro e chegue ao aerofólio traseiro ovalado, gerando um bocado de downforce. Na Ferrari 599 GTB Fiorano (em inglês) as colunas B (atrás dos bancos) vazadas canalizam o ar para a traseira, reduzindo o arrasto [fonte: Classic Driver - em inglês].

Mas e os defletores e outras peças aerodinâmicas em carros do dia a dia? São realmente aerodinâmicos? Em alguns casos, os dispositivos aumentam a estabilidade em alta velocidade. Por exemplo, o Audi TT inicialmente não tinha um defletor no capô traseiro, mas a Audi instalou um quando se descobriu que a carroceria arredondada criava muita sustentação, o que pode ter provocado acidentes [fonte: Edgar - em inglês].

Só que na maioria dos casos a colocação de um grande aerofólio na traseira de um carro comum não vai melhorar muito o desempenho nem a dirigibilidade – se é que vai melhorar alguma coisa. Em alguns casos, pode haver piora no comportamento do carro – que pode, por exemplo, ter dificuldade em fazer curvas, ou passar a sair de frente.

Para mais informações sobre aerodinâmica e assuntos relacionados, visite os links listados no próximo tópico.

7. Mais informações

Links interessantes (em inglês)

Fontes

Classic Driver. "The Ferrari 599 GTB Fiorano." (March 9, 2009)

Day, Dwayne A. "Advanced Wind Tunnels." U.S. Centennial of Flight Commission.
(March 9, 2009)


Edgar, Julian. "Car Aerodynamics Have Stalled." Auto Speed. (March 9, 2009)

Elliott-Sink, Sue. "Improving Aerodynamics to Boost Fuel Economy." Edmunds.com.
May 2, 2006. (March 9, 2009)


Formula 1 Network. "Williams F1 - History of Aerodynamics: Evolution of aerodynamics." (March 9, 2009)

NASA. "Beginner's Guide to Aerodynamics." July 11, 2008. (March 9, 2009)

NASA. "The Drag Coefficient." July 11, 2008. (March 9, 2009)

Price, Ryan Lee. "Cheating Wind - Aerodynamic Tech and Buyers Guide: The Art Of Aerodynamics And The Automobile." European Car Magazine. (March 9, 2009)

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